Quinta-feira, Julho 09, 2009

Catarse e retorno...

Estou de volta após mais uma catarse à alma e ao corpo. Estou bem e recomendo-me. Tive perdas e ganhos de afectos neste tempo que andei ausente. Aos que me liam frequentemente as minhas desculpas pela ausência, mas quero afirmar que nunca os esqueci.
Beijos e abraços, conforme aplicável.

Amo e vivo num país onde;

O actual primeiro-ministro prometeu 150.000 empregos ao povo e só empregou os boys do Partido Xuxalista;

Onde o órgão que deveria fiscalizar a actividade criminosa de alguns bancos se ficou pela omissão, ocupou seis meses a uma Comissão Parlamentar de Inquérito, para depois ser limpo de qualquer acto como se a incompetência fosse prémio;

Onde o actual primeiro-ministro é alvo de dúvida sobre uma pretensa licenciatura;

Onde o actual primeiro-ministro assinou projectos doutros ou outros assinaram os dele (nunca percebi bem);

Onde o actual primeiro-ministro declarou ser engenheiro na ficha de inscrição da AR quando ainda era bacharel (porque pretendeu ser o que não era? - Há quem diga que não poderia ser secretário de estado sem ser licenciado, daí a licenciatura por fax.);

Onde o actual primeiro-ministro é suspeito num caso de corrupção, ou no mínimo, de favorecimento pessoal, no caso Freeport;

Onde o Procurador-geral da República garante que não há pressões no mesmo caso mas diz que vai abrir um inquérito? (se não há pressões para que é o inquérito?);

Onde o mesmo PGR declara que o estatuto de arguido serve para proteger os mesmos mas não se constitui o primeiro-ministro arguido????????? – Chega-lhe a protecção dada pelo cargo?

Onde uma Ministra da Educação quer impor (impôs) aos professores avaliações de que ela nunca foi objecto e nem se sabe que carreira tem, se é que tem ou teve;

Onde o Presidente da República tem amigos na banca que lhe proporcionam lucros de 147% em aplicações financeiras e tudo parece normal (só eu não tenho amigos desses);

Onde há generais das Forças Armadas, pressupostamente o último baluarte de alguma decência nesta Partidocracia, que estão a ser julgados por corrupção e burla ao Estado;

Onde um Presidente de Câmara (Isaltino Morais) mantêm o cargo já com uma acusação pendente de ter obtido, a troco de licenciamentos de obras, contrapartidas económicas que alega serem de um sobrinho que é taxista na Suíça (Também quero ser taxista na Suíça);

Onde um governo se deixa pressionar num caso de crime (Maddie) em claro favorecimento de trato a suspeitos e em desprotecção total dos agentes da PJ, mormente por parte do então Director que de competência só percebia se lhe aplicado o prefixo in;

Onde um ministro das obras públicas afirma que jamais (leia-se jámé) haverá um aeroporto na margem sul e depois o governo a que pertence inverte a decisão e nada se passsa?

Onde o caso Casa Pia se arrasta há anos e anda tudo na maior;

Onde se tentou branquear a falta de treino do GOE (sem culpa destes, pois sem ovos não há omoletes) na eliminação dos assaltantes do BES, pretendendo fazer crer que foi tudo limpo e o sobrevivo levou 4 cartuchadas e não morreu?

Onde o tiro que matou o outro não foi na cabeça, mas sim no peito, passando a escassos milímetros da cabeça do sequestrado?

Onde colegas desses polícias são baleados nas ruas, vivem em condições de fezes, mal pagos e a quem se exige que nos protejam sem terem meios para se protegerem a eles mesmos?
Nota Pessoal: Tenho pena de si Senhor Ministro Rui Pena, pois só cá é que ainda mantém a sertã, pois num país a sério já estava há muito despedido por indecência e má figura;

Onde o Ministro da Justiça foi ilibado administrativamente da sua incompetência quando “servia” a República em Macau e hoje está onde está;

Onde os gestores e administradores dos bancos recebem chorudos bónus pelo seu desempenho e a economia foi pelo cano (nunca percebi como se pode premiar a leviandade, a incompetência e o oportunismo);

Onde há juízes que punem a velhinha que “fanou” um creme no LIDL e os seus colegas na grande criminalidade – Caso Freeport; BPN… ainda se vai ver se é crime?

Onde se exige a cabeça de um ministro por meter cornos na sua própria cabeça, como se esse fosse uma gesto amoral e fosse moral o presidente da AR ter três carros?

Onde me exigem contenção financeira para fazer face à crise e continuam em despesismos exorbitantes como se nadássemos em dinheiro?

Onde brancos, ciganos, pretos, mulatos e outros, vivem à custa dos nossos impostos e têm em casas sociais de renda baixa electrodomésticos de vanguarda, Play stations’s e televisões em todos os quartos, plasmas de 2.000 €, computadores e à porta carros de 40.000 €, beneficiando de rendas económicas, apoio judiciário, rendimento mínimo, subsídios da Segurança Social, etc.?

Fartei-me. Chamem-me o que quiserem; racista, xenófobo, o que quiserem, mas parvo é que eu não sou e estou farto.
Estou farto desta partidocracia denominada democracia que afasta o que de bom tem a verdadeira democracia, isto é, a meritocracia, o ascender na vida por mérito e não por cunhas, favorecendo nabos, lambe-botas, incompetentes, mentirosos como o é o primeiro-ministro, e outros xicos-espertos que pululam neste cantinho orgulhosamente na cauda da Europa a que alguns ainda votam um amor tal que juram dar a vida por ele mas que a dão na mesma, não nos campos de batalha, mas no dia-a-dia de constantes hemorragias nos seus salários e pensões a favor de párias que nada querem fazer.
A democracia é de facto a ditadura das minorias sobre a maioria, a qual elegeu uma minoria (Deputados) que não favorece a maioria (povo) que a elegeu mas antes a sangra dos parcos recursos que tem para, num bem parecer social, favorecer as minorias de párias que vivem à custa de quem trabalha e paga os impostos que lhe são devidos.
Em Setembro e Outubro vai votar POVO BURRO!

Terça-feira, Setembro 30, 2008

Pegadas na areia


Je m’adresse à vous, mon Dieu
Car vous seul donnez
Ce qu’on ne peut obtenir que de soi.

Donnez-moi, mon Dieu, ce qu’il vous reste.
Donnez-moi ce que l’on ne vous demande jamais.
Je ne vous demande pas la richesse,
Ni le succès, ni peut-être même la santé.
Tout ça, mon Dieu, on vous le demande tellement
Que vous ne devez plus en avoir.

Donnez-moi, mon Dieu, ce qu’il vous reste,
Donnez-moi ce que l’on vous refuse.
Je veux l’insécurité et l’inquiétude.
Je veux la tourmente et la bagarre,
Et que vous me les donniez, mon Dieu,
Définitivement.
Que je sois sûr de les avoir toujours
Car je n’aurai pas toujours le courage
De vous les demander.

Donnez-moi, mon Dieu, ce qu’il vous reste,
Donnez-moi ce dont les autres ne veulent pas.
Mais donnez-moi aussi le courage
Et la force, et la foi.
Car vous seul donnez
Ce que l’on ne peut obtenir que de soi.


Dirijo-me a vós, meu Deus
Porque só vós dais
O que não se obtém senão de vós

Dai-me meu Deus, o que vos resta
Dai-me o que os outros não vos pedem
Eu não vos peço riqueza
Nem o sucesso, nem mesmo a saúde
Tudo isso, meu Deus, vos pedem abundantemente
Que vós não necessitais de dispor

Dai-me meu Deus, o que vos resta
Dai-me o que outros recusam
Eu vejo a insegurança e a inquietude
Eu vejo a tormenta e a batalha
E que vós me as deis, meu Deus
Definitivamente
Que eu estou certo de as ter sempre
Porque não ouso ter sempre a coragem
De vo-las pedir.

Dai-me meu Deus, o que vos resta
Dai-me o que os outros não querem
Mas dai-me também a coragem
E a força, e a fé
Porque só vós dais
O que não se obtém senão de vós




Quarta-feira, Setembro 03, 2008

Uma questão de HONRA!




Caros amigos,
Ex-Combatentes,
Militares no activo e na reserva,
Cidadãos,


Pedimos-lhes o favor de nos dispensarem uns momentos e, se concordarem com o nosso apelo, assinar a presente petição.
Não concordando, pedimos-lhe apenas o favor de a reencaminhar esta mensagem para os seus contactos. Mas, por favor não deixe de colaborar. Não a deixe parar.

Juntamos a seguinte documentação que o esclarecerá, devidamente sobre o que pretendemos:

Anexo 1. Nota explicativa
Anexos 2 e 3. Situação em que se encontram os Cemitérios/Campas em África, Guiné, Angola e Moçambique
Anexo 4. O que pretendemos: Trazer os restos mortais destes militares, homenageá-los, levá-los para as suas terras, entregá-los os familiares e amigos, para que finalmente, REPOUSEM EM PAZ.

Pelo Movimento Cívico de Antigos Combatentes,

José Nascimento Rodrigues
Ex-Combatente
1º. Cabo Pára-Quedista 27/69
Para subscrever, basta klicar no endereço abaixo.

Pontos de recolha de assinaturas e informações:

PORTUGAL
– Abrantes – Almada – Braga – Caminha – Castelo de Paiva – Ermesinde – Lagoa – Lisboa – Mafra – Olhão – Ponte de Sor – Porto – Rio de Mouro – Rio Maior – Sesimbra – Setúbal – Sines – Sintra– Tondela – Valença do Minho – Viana do Castelo



PREFÁCIO

A El – Rei


Senhor, umas casas existem, no Vosso Reino, onde homens vivem em comum, comendo do
mesmo alimento, dormindo em leitos iguais. De manhã a um toque de corneta se levantam, para obedecer. De noite, a outro toque de corneta se deitam, obedecendo. Da vontade fizeram renúncia como da vida. Seu nome é sacrifício. Por ofício desprezam a morte e o sofrimento físico. Seus pecados mesmo são generosos, facilmente esplêndidos. A beleza das suas acções é tão grande que os poetas não se cansam de a celebrar.
Quando eles passam na rua juntos, fazendo barulho, os corações mais cansados sentem estremecer alguma coisa dentro de si. A gente conhece-os por MILITARES: Eu cá chamo-lhes padres. Padres de religião Augusta, a única possível nos dias de hoje; a do civismo. Por essa divina humildade que os faz semelhantes a coisas, eles se levantam acima dos outros homens.
Corações mesquinhos lançam-lhes em rosto o pão que comem: como se os cobres do pré pudessem pagar a LIBERDADE e a VIDA. Publicistas de vista curta acham-nos caros demais, como se alguma coisa houvesse mais cara que a servidão.
Eles, porém, calados, continuam guardando a Nação do estrangeiro e de si mesma. Pelo preço da sua sujeição, eles compram a liberdade para todos e a defendem da invasão estrangeira e do jugo das paixões.
Se as forças das coisas os impede agora de fazerem em rigor tudo isto, algum dia o fizeram, algum dia o farão. E, desde hoje, é como se o fizessem.
Porque, por definição o Homem de guerra é nobre. E quando ele se põe em marcha à sua esquerda vai a coragem, e à sua direita a disciplina.


Moniz Barreto … 1893

Quarta-feira, Agosto 13, 2008

Que realidade?


" O que mais preocupa não é nem o grito dos violentos, dos corruptos, dos desonestos, dos sem-carácter, dos sem-ética.
O que mais preocupa é o silêncio dos bons"


Dr. Martin Luther King


É-me cada vez mais pesaroso elaborar sobre a realidade escandalosa do meu Portugal. Que raio de óculos usam os governantes para verem realidades coloridas que eu não vejo? Ou será que tomam outras substâncias, bebíveis ou sólidas, que os faz ter uma percepção da realidade diferente da minha? Se é assim também quero e até podem ser genéricos, que fica mais em conta.
Fossem cidadãos brancos os que não quisessem os ciganos ou os pretos em qualquer bairro deste país e já teria caído o Carmo e a Trindade. Sim, porque o trauma colectivo de branco-negreiro-esclavagista-colonialista foi-nos incutido de tal maneira que qualquer dia pedimos até desculpa por nascer num país onde cumprimos a lei e pagamos impostos.
Sim, porque todos aqueles brancos, pretos, ciganos, amarelos, indianos, caucasianos, balcânicos, enfim, todos os que trabalham e pagam os seus impostos, suportam os parasitas sociais, também eles brancos, pretos, ciganos, amarelos, indianos, caucasianos, balcânicos, que em nada contribuem para este país porque se incutiu um comportamento na nossa sociedade de “deixa lá é melhor não fazer ondas que os gajos são maus”.
Uma grandessíssima caca. Mau sou eu!
Sou mau pai porque não me rebelo contra o “proxenetismo” político e dos que não querem trabalhar, prejudicando, assim, os meus filhos em favor dos filhos da puta de diversas estirpes.
Sou mau cidadão porque não me rebelo contra a situação que vivem os reformados deste país que contam os míseros trocos para a comida e medicamentação, enquanto nos parques de estacionamento dos bairros sociais há máquinas de € 20.000 para cima e nas casas, que todos nós contribuintes pagámos, há plasmas de € 2000, DVD’s, Playstations e electrodomésticos de ponta, a troco de €5 de renda por mês.
Vão à MERDA todos aqueles sobre quem impede o dever de fiscalizar e punir os abusadores e fecham os olhos. Não os mando apanhar no esfíncter porque alguns até agradeceriam e lhes dava jeito.
Sou pouco solidário e muito camelo porque permito que brancos, ciganos e pretos fujam aos impostos, não trabalhem, andem bem vestidos e em bons carros, enquanto outros brancos, pretos, ucranianos e de outras regiões do leste europeu, honestamente “vergam o aço” nas obras e em outros locais deste país.
Por fim sou mau patriota porque permito que estes “invasores” desrespeitem todos aqueles que independentemente da cor da pele, credo religioso ou modo de vida, trabalham e pagam impostos, sempre esperançados numa redistribuição da riqueza de forma mais equitativa. Mas… há sempre um mas… esses brancos, pretos, ciganos, amarelos, indianos, caucasianos, balcânicos, etc, dão votos e estão bem contabilizados.


Outra coisa. Não sei que raio de moda é essa de agora chamar aos pretos afro-europeus ou afro-descendentes. Que vómito de trauma é esse? Então aqueles brancos que nasceram lá são o quê? Euro-africanos ou euro-descendentes? Deixem-se de merdelices e de traumas medíocres ou agora tenho de andar a alombar com estigmas colonialistas a vida toda? Fosse o Mugabe branco e já estariam a caminho esquadras navais e forças terrestres para parar o assassino que por sinal até usa um bigodinho apaneleirado como o tio Adolfo.
A propósito de merdas, das bem feitas claro, quero endereçar os meus sinceros parabéns à PSP. Desde logo porque dois tiros naquelas condições de luminosidade, após espera prolongada na mesma posição, não são para qualquer um. E o segundo tiro até foi dado com o alvo em movimento (podia ter corrido mal).
Foram criminosos brasileiros como poderiam ter sido criminosos portugueses ou de outro lugar qualquer. O crime não tem nacionalidade e, friamente, antes eles que qualquer inocente. O que importa relevar é que a Polícia portuguesa quando as regras de empenhamento são claras, é tão boa ou melhor que qualquer polícia do mundo. A mensagem está dada e os politicozinhos que todos os dias têm homens destes a prestar-lhes segurança, equipem os corpos a que eles pertencem com melhor equipamento e armamento e possibilitem-lhes horas de treino que vão ver que depois o trabalhinho aparece sempre bem feito.


Outro assunto.
Não sei devo rir se devo chorar ou, em alternativa, beber uns copos e depois rir e chorar ao mesmo tempo. O militar da GNR que, no exercício das suas funções, acabou por balear o menos culpado, após ter sido posta em perigo a sua integridade física por aqueles que desrespeitaram propriedade privada, levando consigo um menor para que aprendesse as artes ancestrais da família e cujo pai é foragido desde 1999, foi constituído arguido e, pasme-se, vai ser alvo de queixa crime por parte da família dos criminosos.
Mas está tudo parvo ou quê?
Ai políticos do meu país, a vós estas palavras…

"Uma nação pode sobreviver aos idiotas e até aos gananciosos, mas não pode sobreviver à traição gerada dentro de si mesma.
Um inimigo exterior não é tão perigoso, porque é conhecido e transporta as suas bandeiras abertamente.
Mas o traidor move-se livremente dentro do governo, seus melífluos sussurrossão ouvidos entre todos e ecoam no próprio vestíbulo do Estado.
E esse traidor não parece ser um traidor; ele fala com familiaridade com as suas vítimas, usa a sua face e suas roupas e apela aos sentimentos que se alojam no coração de todas as pessoas.
Ele arruína as raízes da sociedade; ele trabalha em segredo e oculto na noite para demolir as fundações da nação; ele infecta o corpo político a tal ponto que este sucumbe".

(Discurso de Cícero, tribuno romano, 42 a.C.)

Sexta-feira, Fevereiro 08, 2008

A Essência

O ALENTEJO

Palavra mágica que começa no Além e termina no Tejo, o rio da portugalidade. O rio que divide e une Portugal e que à semelhança do Homem Português, fugiu de Espanha à procura do mar.
O Alentejo molda o carácter de um homem. A solidão e a quietude da planície dão-lhe a espiritualidade, a tranquilidade e a paciência do monge; as amplitudes térmicas e a agressividade da charneca dão-lhe a resistência física, a rusticidade, a coragem e o temperamento do guerreiro. Não é alentejano quem quer. Ser alentejano não é um dote, é um dom. Não se nasce alentejano, é-se alentejano.
Portugal nasceu no Norte mas foi no Alentejo que se fez Homem. Guimarães é o berço da Nacionalidade, Évora é o berço do Império Português. Não foi por acaso que D. João II se teve de refugiar em Évora para descobrir a Índia. No meio das montanhas e das serras um homem tem as vistas curtas; só no coração do Alentejo, um homem consegue ver ao longe.


Mas foi preciso Bartolomeu Dias regressar ao reino depois de dobrar o Cabo das Tormentas, sem conseguir chegar à Índia para D. João II perceber que só o costado de um alentejano conseguia suportar com o peso de um empreendimento daquele vulto. Aquilo que para o homem comum fica muito longe, para um alentejano fica já ali. Para um alentejano não há longe, nem distância porque só um alentejano percebe intuitivamente que a vida não é uma corrida de velocidade, mas uma corrida de resistência onde a tartaruga leva sempre a melhor sobre a lebre.
Foi, por esta razão, que D. Manuel decidiu entregar a chefia da armada decisiva a Vasco da Gama. Mais de dois anos no mar..., quando regressou, ao perguntar-lhe se a Índia era longe, asco da Gama respondeu: «Não, é já ali.». O fim do mundo, afinal, ficava ao virar da esquina.
Para um alentejano, o caminho faz-se caminhando e só é longe o sítio onde não se chega sem parar de andar. E Vasco da Gama limitou-se a continuar a andar onde Bartolomeu Dias tinha parado. O problema de Portugal é precisamente este: muitos Bartolomeu Dias e poucos Vasco da Gama. Demasiada gente que não consegue terminar o que começa, que desiste quando a glória está perto e o mais difícil já foi feito. Ou seja, muitos portugueses e poucos alentejanos.


D. Nuno Álvares Pereira, aliás, já tinha percebido isso. Caso contrário, não teria partido tão confiante para Aljubarrota. D. Nuno sabia bem que uma batalha não se decide pela quantidade mas pela qualidade dos combatentes. É certo que o Rei de Castela contava com um poderoso exército composto por espanhóis e portugueses, mas o Mestre de Avis tinha a vantagem de contar com meia-dúzia de alentejanos. Não se estranha, assim, a resposta de D. Nuno aos seus irmãos, quando o tentaram convencer a mudar de campo com o argumento da desproporção numérica: «Vocês são muitos? O que é que isso interessa se os alentejanos estão do nosso lado?»
Mas os alentejanos não servem só as grandes causas, nem servem só para as grandes guerras. Não há como um alentejano para desfrutar plenamente dos mais simples prazeres da vida. Por isso, se diz que Deus fez a mulher para ser a companheira do homem. Mas, depois, teve de fazer os alentejanos para que as mulheres também tivessem algum prazer. Na cama e na mesa, um alentejano nunca tem pressa. Daí a resposta de Eva a Adão quando este, intrigado, lhe perguntou o que é que o alentejano tinha que ele não tinha: «Tem tempo e tu tens pressa.» Quem anda sempre a correr, não chega a lado nenhum. E muito menos ao coração de uma mulher. Andar a correr é um problema que os alentejanos, graças a Deus, não têm. Até porque os alentejanos e o Alentejo foram feitos ao sétimo dia, precisamente o dia que Deus tirou para descansar.


E até nas anedotas, os alentejanos revelam a sua superioridade humana e intelectual. Os brancos contam anedotas dos pretos, os brasileiros dos portugueses, os franceses dos argelinos... só os alentejanos contam e inventam anedotas sobre si próprios. E divertem-se imenso, ao mesmo tempo que servem de espelho a quem as ouve.
Mas para que uma pessoa se ria de si própria não basta ser ridícula porque ridículos todos somos. É necessário ter sentido de humor. Só que isso é um extra só disponível nos seres humanos topo de gama.
Não se confunda, no entanto, sentido de humor com alarvice. O sentido de humor é um dom da inteligência; a alarvice é o tique da gente bronca e mesquinha. Enquanto o alarve se diverte com as desgraças alheias, quem tem sentido de humor ri-se de si próprio. Não há maior honra do que ser objecto de uma boa gargalhada. O sentido de humor humaniza as pessoas, enquanto a alarvice diminui-as. Se Hitler e Estaline se rissem de si próprios, nunca teriam sido as bestas que foram.
E as anedotas alentejanas são autênticas pérolas de humor: curtas, incisivas, inteligentes e desconcertantes, revelando um sentido de observação, um sentido crítico e um poder de síntese notáveis.

Não resisto a contar a minha anedota preferida. Num dia em que chovia muito, o revisor do comboio entrou numa carruagem onde só havia um passageiro. Por sinal, um alentejano que estava todo molhado, em virtude de estar sentado num lugar junto a uma janela aberta. «Ó amigo, por que é que não fecha a janela?», perguntou-lhe o revisor.
«Isso queria eu, mas a janela está estragada.», respondeu o alentejano. «Então por que é que não troca de lugar?» «Eu trocar, trocava... mas com quem?»


Como bom alentejano que me prezo de ser, deixei o melhor para o fim. O Alentejo, como todos sabemos, é o único sítio do mundo onde não é castigo uma pessoa ficar a pão e água. Água é aquilo por que qualquer alentejano anseia. E o pão... Mas há melhor iguaria do que o pão alentejano? O pão alentejano come-se com tudo e com nada. É aperitivo, refeição e sobremesa. E é o único pão do mundo que não tem pressa de ser comido. É tão bom no primeiro dia como no dia seguinte ou no fim da semana. Só quem come o pão alentejano está habilitado para entender o mistério da fé. Comê-lo faz-nos subir ao Céu!
É por tudo isto que, sempre que passeio pela charneca numa noite quente de verão ou sinto no rosto o frio cortante das manhãs de Inverno, dou graças a Deus por ser alentejano. Que maior bênção poderia um homem almejar?
zcc

Sábado, Janeiro 19, 2008

Rapaces Fortuna Juvat *

Depois de ver em fotos a verdade que conheço e como não sou de agitar bandeirinhas, qual “Tonho da Lua”, nas vãs exaltações do orgulho militar traduzidas em paradas e desfiles, nem de alardear os já sem sentido discursos do poder político e das chefias militares, fui rebuscar a imprensa da época.
Na edição da TVNet, sobre um eventual capotamento de uma viatura dos COMANDOS, em meados no ano passado enquanto efectuava uma manobra de evasão durante uma emboscada efectuada pelos Talibans, o Ministro da Defesa Nacional declarou que "O Afeganistão é um teatro com riscos mas é também um teatro onde as Forças Armadas Portuguesas estão a servir com muito profissionalismo, estão preparadas para o trabalho que estão a desenvolver e têm sido muito elogiadas"
Não tenho a mínima dúvida que é assim.
Já da mesma forma responsável não qualifico o titular da pasta da Defesa, pois ao referir-se ao ataque a uma patrulha da 2ª Companhia de Comandos, sob comando da ISAF (Afeganistão), em que ficou ferido o 1º Sargento Barry, disse o seguinte:
"um incidente que não teve gravidade" - saldou-se em "dois dentes partidos".
Pois é senhor ministro, como os dentes não são seus, não esteve lá e não tem os tomates no sítio para estar onde estão aqueles que passam por essas situações, é fácil armar-se em duro e proferir atoardas Rambísticas, pensando para com os seus botões que “piripiri no cu dos outros para mim é chocolate!”.
Mencione antes aqueles que vão “voluntários” ou em alternativa lhes acabam com os contratos, ou em “mecos” que nunca saíram do Camp Wherehouse mas que recebem a maior condecoração, embora, gabe-se-lhe a persistência, tenham treinado afincadamente para se habituar à medalha através da observação, em várias perspectivas, das garrafas de Passport.
Mas o que aqui me traz hoje é outra coisa. Mais grave, muito mais grave. Trata-se do encobrimento da verdade que poderia gerar na opinião pública uma onda que redefinisse a nossa intervenção no Afeganistão. Porquê?
- Porque estando sobre administração da NATO continua a produzir 47% do Ópio que entra na Europa;
Porque o verdadeiro objectivo não é acabar com a Al Khaida, aliás, fontes desta organização dizem que é a própria CIA que guarda os campos de ópio, trata do processamento desta droga e coloca-a no mercado mundial a preços mais baixos do que a cocaína produzida na América do Sul, a fim de eliminar financeiramente os cartéis sul-americanos. Com o produto da venda financia a própria presença americana no Afeganistão. Whre is smoke…

Lê-se aqui que:

"Na sequência da emboscada, quando os Comandos portugueses efectuavam uma manobra evasiva, uma das viaturas capotou, provocando “ligeiras escoriações” em dois militares.
Os ferimentos não foram provocados pelas armas utilizadas pelos atacantes, que se supõe serem talibãs, mas pelas pancadas que os militares deram no interior da viatura quando esta se virou
." E aqui acontece o amém das chefias militares ao poder político. Em detrimento da verdade para com os seus homens, privilegiam a subserviência ao poder político.
Quem já viu “voar” RPG’s e os efeitos que eles causam sabe que o que aqui se passou foi que não houve capotamento nenhum, pelo menos nas fotos não há sinais dele. Houve sim foi RPG’s que não rebentaram porque das duas uma:
1 - Ou a distância do disparo foi muito curta e o motor de lançamento do foguete não armou o motor de voo e este a espoleta;
Ou,

2- O Taliban nem sequer removeu a capsula protectora da espoleta,

Ou ainda,
3- O material ainda é do tempo da presença russa no Afeganistão e, devido à extraordinária variação da amplitude térmica daquele país, o material deteriorou-se e, pura e simplesmente, e ainda bem, não detonou.

Se tivesse corrido mal, já sabemos que o capotamento seria a desculpa oficial.

Ajuízem por vós.


* Adapatação do lema dos Comandos - Audaces Fortuna Juvat, lendo-se:
A sorte protege os rapazes.

Quinta-feira, Janeiro 10, 2008

MONS AMIS...

"Se serviste a Pátria e ela te foi ingrata, tu fizeste o que devias, ela o que costuma."
Padre António Vieira

Ficou para trás um semestre de desesperos, amores perdidos por morte e por impossibilidade da vida. Uma cascata de acontecimentos que exigiram retraimento, reflexão e serenidade.
Aos amores de juventude que se foram tristemente juntaram-se outros, únicos no seu tempo e forma, actuais até há bem pouco tempo e que quiseram partir. Impunha-se a retirada, o recolhimento para lamber as feridas e voltar retemperado após mais uma catarse. À perda de um amor passado juntou-se a rejeição do presente. Está superado.
Tudo se complicou no último semestre de 2007. Saúde, actividade profissional, alguns “amigos”, família, enfim, o espectro todo. Fiquei só e só ultrapassei o que havia para ultrapassar. Retorno, assim, a um espaço que me é querido e onde encontrei mensagens de preocupação pela minha ausência.
Estranho não é? Quem nada de mim conhece preocupa-se, outros, sabendo pelo que passava afastaram-se num resguardar individualista, cínico.
Virar de página…

Recebo um mail da Menina Marota, agora mesmo, de um IRMÃO DE ARMAS que a França também abandonou…aqui fica o seu relato e…
Mon vieux camarade la parole de cambrone…MERDE!
MONS AMIS...
Lá vai ele em busca do amigo que para traz ficou. Em intenso tiroteio, que obriga-o a lutar contra a fúria da pontaria do inimigo. Gritos, confusão de tantas imagens, morte à sua volta o amigo lá estendido, esperando por aquele outro amigo de verdade.
Guerra que não é sua, mas é composta de soldados humanos, e outros não, assim como em todo lugar.
Companheirismo real, abandono jamais existe para os verdadeiros amigos.
Lá vem ele com o amigo nas costas, o fuzil em riste respondendo o fogo dos snipers nas janelas escondidos.
Cheiro de morte, crianças entre os escombros, mulheres e homens gritando, aqui é Sarajevo. Amigos não abandonam outro amigo, e nem mesmo as pessoas que precisam de ti: VERDADEIRO SOLDADO.
Amigos não abandonam outros amigos em nenhuma circunstância, pena que a Pátria nossa mãe teve esta coragêm: ABANDONAR SEUS SOLDADOS em horas tão cruciais.
UM VIVA!!!!!! AOS MEUS COMPANHEIROS VIVOS, AQUELES QUE DE 60 SOMOS NÓS SOMENTE + 2 .
UM VIVA!!!! AS FORÇAS FRANCESAS POR ABANDONAR SEUS SOLDADOS EM OUTRAS TERRAS, DIZENDO QUE NÃO OS CONHECE OU CONHECERAM.
UM VIVA!!!! AOS MEUS SOLDADOS CAÍDOS QUE EM TODOS OS NATAIS LEMBRO-ME DE TODOS NA MESA DE NOSSA CASA.
UM VIVA!!!!! AOS BUROCRATAS COVARDES QUE ENTREGARAM SEUS SOLDADOS A PRÓPRIA SORTE.
VIVA!!!!! PRISTINA, SARAJEVO, BOSNIA HEZERGOVINA, SAIBAM SEUS POVOS QUE MOSTRAMOS NOSSA CORAGÊM, NOSSO ROSTO, E AGORA A VERGONHA DE TANTAS SELVAGERIAS QUE NOS FIZERAM VER. NÃO ME RESPONDAM QUE FOMOS VOLUNTÁRIOS, FOMOS SIM CORAJOSOS.
VERGONHA AOS NOSSOS BUROCRATAS QUE NÃO CONHECEM O CALOR DA BATALHA.
VERGONHA AOS NOSSOS BUROCRATAS, QUE ABANDONARAM SEUS SOLDADOS E QUASE OS CONDENAM EM OUTRAS TERRAS, QUANDO DIZEM NÃO CONHECER OS VALOROSOS E VERDADEIROS HOMENS QUE FORAM LUTAR REPRESENTANDO UMA NAÇÃO, UMA BANDEIRA.
NÃO PRECISAM NOS DAR DINHEIRO, BASTA NOS DIZER SOMENTE: MERCI E DAR-NOS A INTEGRIDADE E HONRA DA QUAL NOS RETIRARAM NOS PAPÉIS, MAS JAMAIS DE NOSSAS MEMÓRIAS. AS MEMÓRIAS DE UM CAPITÃO DE INFANTARIA PARA-QUEDISTA.


W B (Um camarada esquecido).